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SUMÁRIO
SOBRE O MANUAL ......................................................................... 1
MENSAGENS DE BOAS VINDAS.............................................. 2
AGRADECER, REPENSAR, RELANÇAR ................................ 5
A OPÇÃO MISSIONÁRIA DE DOM BOSCO ........................ 7
GTM’S...................................................................................................... 19
O DIA MISSIONÁRIO SALESIANO
AO LONGO DO TEMPO ................................................................ 26
150 ANOS DAS MISSÕES
SALESIANAS ....................................................................................... 29
OS SALESIANOS DA PRIMEIRA
EXPEDIÇÃO MISSIONÁRIA......................................................... 32
SAUDAÇÃO DE DOM BOSCO
AOS PRIMEIROS MISSIONÁRIOS............................................ 35
Este manual foi preparado com
carinho para acompanhar você em
cada passo do Fórum Missionário
Salesiano 2025.
Mais do que um simples guia, este
material é um companheiro de
jornada missionária. Ele quer
ajudá-lo(a) a viver plenamente cada
momento do Fórum: escutar com
atenção, partilhar com alegria, rezar
com o coração e renovar seu
compromisso com a missão
salesiana.
Que este manual o ajude a
transformar cada atividade em uma
experiência de encontro, fé e envio.
Pág. 2
SOBRE O MANUAL

Pág. 3 MENSAGENS DE BOAS-VINDAS DO
FÓRUM MISSIONÁRIO SALESIANO
Saudação do Pe. Stefano Martoglio
Neste ano, temos a felicidade de celebrar os 150 anos da primeira
expedição missionária da Congregação Salesiana, realizada por
Dom Bosco em 1875. Celebrar essa expedição significa renovar o
mesmo espírito e pedir ao Senhor o coração missionário de Dom
Bosco. Aquela expedição, e todas as que se seguiram, não são para
nós apenas elementos cronológicos.
São fidelidade ao espírito de Dom Bosco, em obediência ao Dom de
Deus, que marcaram e marcam o crescimento, a fidelidade da
Congregação Salesiana nos passos e no Sonho de Dom Bosco. A
celebração de um aniversário missionário é renovação do Fogo do
Espírito que nos impulsiona sempre para além das nossas visões,
das nossas certezas... impulsiona-nos para Ele, prontos para o que
Ele nos pede e pedirá.
Sem o espírito missionário não existiria a Congregação Salesiana,
nunca teríamos saído do Piemonte do século XIX e ninguém
conheceria o nome e o coração pastoral de Dom Bosco para fora da
sua terra natal. Isto é verdade não só para Dom Bosco, mas para
cada um de nós.
Deus leva-nos além de todos os nossos pensamentos,
desejos e visão pessoal. Sustentar este espírito é ser
fiel a Deus e a nós mesmos. Celebrar é sempre
renovar! Levar à geração seguinte o que nós
recebemos, pessoal, institucional e
carismaticamente. Não se trata de um tema para
um ano, na sucessão de muitos temas. É um tema
gerador, é sobre o que somos como Salesianos,
como Família Salesiana!
Com esse espírito, estes 150 anos são uma bênção
para descobrir infinitas histórias de vida, histórias de
fé que fizeram coisas prodigiosas em 150 anos.
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Histórias talvez, às vezes desconhecidas, que devem ser
celebradas, porque são a corrente humana entre Dom Bosco e
nós... e a partir de nós em diante! Histórias de fé que souberam
levar o espírito e a experiência da Valdocco de Dom Bosco aos
lugares mais distantes, aos contextos culturais mais diversos;
dando assim à nossa Congregação e à Família Salesiana a sua
forma atual.
Este aniversário missionário tem a fisionomia de todos aqueles que
partiram nestes 150 anos para levar a fé em Deus e a missão
salesiana na educação. A fidelidade de Deus garante-nos que este
não é um passado, mas a condição permanente da nossa
Congregação.
Preparemo-nos para celebrá-la juntos com o grande desejo no
coração de fazer parte desta magnífica história e deste itinerário,
na fé em Deus e em nome de Dom Bosco. Cada um transmita aos
outros o que recebeu de Deus, através de outros!
Pe. Stefano Martoglio
Vigário do
Reitor-Mor
MENSAGENS DE BOAS-VINDAS DO
FÓRUM MISSIONÁRIO SALESIANO

Pág. 5 AGRADECER, REPENSAR, RELANÇAR
O tema do 150º aniversário
da primeira expedição
missionária salesiana
Este ano recordamos o remoto ano
de 1875, quando partiu de Turim
a primeira expedição missionária!
Agradecer: Agradecemos a Deus pelo
dom da vocação missionária que permite hoje
aos filhos de Dom Bosco chegar aos jovens pobres e abandonados
em 137 países.
Repensar: É uma ocasião propícia para repensar e desenvolver uma
visão renovada das missões salesianas à luz de novos desafios e
novas perspectivas que levaram a novas reflexões missiológicas.
Relançar: Não temos apenas uma história gloriosa a recordar e pela
qual somos agradecidos, mas também uma história a ser ainda
realizada! Olhamos para o futuro com zelo missionário e
entusiasmo renovado para atingir um número ainda maior de
jovens pobres e abandonados.
As celebrações do 150º aniversário acontecerão Dia Missionário
Salesiano 2025 7 principalmente em nível inspetorial: cada
Inspetoria é convidada a criar internamente uma iniciativa
missionária concreta ou reforçar de modo significativo as
iniciativas existentes, que serão sinais permanentes desta
celebração.
A nível de Congregação, o Reitor-Mor presidirá o envio missionário
no dia 11 de novembro de 2025 na Basílica de Maria Auxiliadora,
em Valdocco. É a celebração com que a Congregação renova o seu
empenho missionário diante de Maria Auxiliadora.

Pág. 6
AGRADECER, REPENSAR, RELANÇAR
Todas as celebrações, em diversos níveis, têm um único objetivo:
manter vivo o espírito e o entusiasmo missionário na
Congregação,a fim de promover um maior zelo missionário e uma
maior generosidade entre os Salesianose de toda a CEP.
O logotipo que resume o tema é obra de Martina Mončeková, da
Chéquia. Mostra o globo terrestre atravessado por algumas ondas
que simbolizam a coragem e os novos desafios, mas também o
dinamismo e a temeridade. É um dinamismo crescente que tende
cada vez mais para novos horizontes missionários. Três figuras
vermelhas recordam o logotipo da Congregação Salesiana e o fogo
de um renovado entusiasmo missionário. No centro, um navio,
símbolo da primeira expedição missionária salesiana (1875). A
imagem mostra que o espírito missionário não é um fato individual,
mas um elemento carismático deixado por Dom Bosco à
Congregação e a toda a Família Salesiana. A forma da roda alude à
unidade e ligação recíproca. O logotipo é completado pelas três
palavras-chave e pelo número de aniversário “150” em destaque.

Pág. 7 A OPÇÃO MISSIONÁRIA DE
DOM BOSCO
Durante as Conferências Anuais de São Francisco de Sales, no dia
29 de junho de 1875, Dom Bosco anunciou solenemente a decisão
de enviar o seu primeiro grupo de Salesianos à América do Sul. “A
Congregação estava na sua infância e esta foi a primeira vez que
Dom Bosco falou dela em público”.¹ O historiador salesiano, P.
Eugenio Ceria, afirma que a notícia foi acolhida com entusiasmo
pelos ouvintes: “A surpresa, o espanto, o entusiasmo sucederam-se
nas almas dos presentes que no final irromperam numa aclamação
festiva... De repente, o elã dado aquele dia às fantasias nos levou a
imaginar horizontes sem limites, e num instante ampliou o já
grande conceito que tínhamos de Dom Bosco e de sua Obra.
Começou verdadeiramente uma nova história para o Oratório e para
a Sociedade Salesiana”².
¹ Memórias Biográficas de São João Bosco (MB) XI, 30.
² E. Ceria, Annali della Società Salesiana, I (Turim: SEI, 1941), 249.
O Despertar Missionário na Igreja
Dom Bosco nasceu quando a Igreja vivia um renascimento do
fervor missionário sob o pontificado do Papa Gregório XVI.
Bartolomeu Alberto Cappellari (1765-1846) era monge
calmaldolense. Em 1814 foi nomeado prefeito da
reconstituída Congregação para a Propagação da Fé (De
Propaganda Fide) pelo Papa Leão XII, reorganizada em
1817. Em 1825 foi nomeado cardeal e, após a morte de Pio
VIII, eleito papa em 2 de fevereiro de 1831, assumindo o
nome de Gregório XVI. Favoreceu o renascimento
missionário da Igreja e enviou missionários à
Etiópia, Índia, China, Birmânia, Oceania e às
populações indígenas da América do Norte.
Em resposta às iniciativas missionárias
do Papa Gregório XVI, desenvolveu-se
um crescente despertar missionário
popular na França. Em 3 de maio de
1822, Paulina Jaricot criou a Obra de

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Propagação da Fé em apoio ao trabalho dos missionários. A
proximidade do Piemonte à França e sua pertença ao Reino de
Saboia contribuíram para fazer da Arquidiocese de Turim o centro
de difusão do entusiasmo missionário, convidando os piemonteses
a ajudar os missionários.
Em 1838, o Arcebispo Fransoni escreveu uma carta pastoral
aprovando a citada Obra de Propagação da Fé na Arquidiocese.
Rapidamente ela foi instituída em quase todas as paróquias, que
arrecadaram fundos para apoiar as missões.
João Bosco viveu esse animado renascimento missionário. Entre
os livros populares no Piemonte havia as Cartas Edificantes e
Curiosas dos Missionários Jesuítas dos séculos XVII e XVIII,
publicadas em edição revisada em 1803, 1818 e 1824, e as Novas
Cartas Edificantes das Missões na China e nas Índias Orientais,
publicadas entre 1767 e 1820.
³ A. Favale, “Le Missioni Cattoliche nei Primordi della Congregazione Salesiana”
em P. Scotti, Missioni Salesiane. 1875-1975 (Roma: LAS, 1977), 17.
Durante esse período, foram fundadas muitas revistas missionárias
para informar os europeus sobre o trabalho dos missionários. As
mais lidas das publicações missionárias francesas eram os Anais
da Propagação da Fé. Mais tarde, Dom Bosco também utilizou o
material dos Anais para compilar sua História Eclesiástica em 1845
e 1870, O Mês de Maria (1858) e as Leituras Católicas. É importante
notar que Dom Bosco era amigo do Cônego José Ortalda, diretor
diocesano da Obra de Propagação da Fé de 1851 a 1880 e seu ativo
promotor no seminário menor missionário, localizado no complexo
do Instituto Cottolengo, bem como em Valdocco.
Em 1834, o santuário da Consolata foi confiado aos Oblatos da
Virgem Maria, Congregação fundada pelo venerável Pio Bruno
Lanteri, em Turim. Em 1842, o Papa Gregório XVI erigiu a Prefeitura
Apostólica de Ava e Pegu, na Birmânia, e a confiou aos Oblatos. O
fervor missionário que suscitou no povo aumentou também o
A OPÇÃO MISSIONÁRIA DE
DOM BOSCO

Pág. 9 A OPÇÃO MISSIONÁRIA DE
DOM BOSCO
desejo missionário de Dom Bosco. Foi Dom Cafasso quem o
ajudou a discernir que o seu trabalho entre os jovens imigrantes
pobres e abandonados de Turim era igualmente louvável e
comparável ao das missões estrangeiras.⁴ “Mas o espírito
missionário permaneceu nele com a mesma intensidade e inspirou
a sua visão, o seu impulso apostólico e a sua formação pastoral: foi
missionário em Turim”.⁵
O Papa Pio IX foi eleito em 1846. Deu continuidade ao impulso
missionário do Papa Gregório XVI ao criar 33 vicariatos
apostólicos, 15 prefeituras e 3 delegações nos territórios de
missão. Atendendo aos pedidos de vários bispos, criou uma
comissão preparatória do Concílio Vaticano I sobre as missões.
⁴ MB, II, 204-208
⁵ J.E. Vecchi, “Levantai vossos Olhos e Vede os Campos que estão Brancos,
prontos para a Colheita,” em ACG 362, n.2.
A abertura do Concílio em 1869 foi uma oportunidade para Dom
Bosco encontrar-se com bispos missionários que visitaram a sua
obra em Valdocco, como Daniel Comboni, José Sadoc Alemany, de
São Francisco (USA), e os Bispos Luís Moccagatta e Elígio Cosi, da
China. A sua visita a Roma, de 24 de janeiro ma 22 de fevereiro de
1870, durante a sessão do Concílio, certamente permitiu-lhe
encontrar-se com outros bispos missionários. Contudo, nesses
anos, a sua principal atenção foi o desenvolvimento da obra em
Valdocco e a constituição da Sociedade Salesiana.⁶
⁶ C. Socol, “Don Bosco’s Missionary Call and China” em Ricerche Storiche
Salesiane vol. 49, n. 2 (2006): 230-233; F. Peraza Leal, Iniciación al Estudio de
Don Bosco, III (Quito: CSRFC, 2014) 350-352.
“Charisma Fundationis”
Já no sonho de nove anos, o Homem (Jesus) disse a Joãozinho
para mostrar aos jovens “a feiura do pecado e a beleza da virtude”.
Mais tarde, a Senhora (Maria) mostrou-lhe o seu futuro trabalho: “O
que agora vês acontecer a esses animais, deves fazê-lo aos meus

Pág. 10A OPÇÃO MISSIONÁRIA DE
DOM BOSCO
filhos”. Na verdade, Joãozinho
tentava aprender alguns
truques acrobáticos para
poder entreter os amigos e,
entre um truque e outro,
partilhar a homilia que ouvira
na igreja no domingo anterior.
Em 1828, quando trabalhava
no sítio Moglia, frequentou a
paróquia de Moncucco e no
final, incentivado pelo pároco
P. Francisco Cottino, iniciou um pequeno oratório festivo. Em
dezembro de 1830 pôde iniciar seus estudos formais em
Castelnuovo d’Asti. Para poupar-lhe duas caminhadas por dia de
Sussambrino a Castelnuovo, seu tio Miguel Occhiena conseguiu
que João Roberto, alfaiate e músico, o hospedasse. Agora, com
mais de quinze anos, ele fazia o possível para ajudar os colegas,
muito mais novos que ele, nos trabalhos escolares. Nos
sacramentos encontrou forças para suportar as humilhações do
professor, que o qualificava como “o vaqueiro Becchi” e para lutar
contra as tentações dos seus “maus colegas” de faltar às aulas,
jogar e roubar. Em Chieri, durante os estudos secundários, fundou a
Sociedade da Alegria em 1832, para ajudar seus amigos a evitar
más ações, levá-los ao catecismo e aproximá-los dos sacramentos.
Em 1835, tendo ingressado para o seminário de Chieri, João
apaixonou-se pelo estudo das línguas da Escritura (hebraico, grego,
latim), das obras dos Padres da Igreja e da teologia. Ele via o
estudo, não como um fim em si mesmo, mas como uma forma de
preparar-se com responsabilidade para a missão evangelizadora
do sacerdote. Os Anais da Propagação da Fé foram amplamente
divulgados no Seminário de Chieri e no Colégio Eclesiástico de
Turim, porque o P. José Cafasso promovia ativamente a Obra de
Propagação da Fé. As Memórias Biográficas contam que o
seminarista Bosco lia avidamente os Anais, que narravam as lutas,
os sofrimentos e as necessidades dos missionários para encorajar
os fiéis a ajudá-los.⁷ Não é surpreendente, portanto, que, como
Don Bosco malabarista (Colle Don Bosco)

Pág. 11 A OPÇÃO MISSIONÁRIA DE
DOM BOSCO
seminarista, João Bosco tenha desenvolvido o desejo de ser
missionário. Durante o processo de beatificação, o Cardeal
Cagliero testemunhou ter ouvido várias vezes Dom Bosco afirmar
que “sempre quis, como seminarista e como sacerdote,
consagrar-se às missões”.⁸
⁷ MB, I, 238.
⁸ A. Favale, “Il Progetto Missionario di Don Bosco e i
Suoi Presupposti Storico-Dottrinali”, em
Salesianum, vol. 38, n. 4 (1976), 8.
Dom Bosco, com 26 anos, ficou
horrorizado quando o P. José Cafasso o
levou para visitar jovens nas quatro
prisões de Turim. O choque o fez tomar a
decisão de trabalhar para evitar que os
jovens fossem parar na prisão. Foi então
que adotou como lema pessoal “da mihi
animas, caetera tolle”.⁹ Ainda se recuperando do choque, Dom
Bosco encontrou-se com Bartolomeu Garelli na sacristia da igreja
de São Francisco de Assis, no dia 8 de dezembro de 1841. Esse
acontecimento marcou o início de sua opção de vida pelos
meninos pobres e abandonados. Essa opção foi selada durante o
famoso diálogo com a Marquesa Barolo, que o aconselhava a
abandonar o trabalho para meninos pobres e a concentrar-se na
atividade de capelão do seu Refúgio: “A senhora tem dinheiro
suficiente para contratar todos os padres de que necessita para o
seu Instituto, mas meus pobres meninos não têm mais ninguém.
Portanto, abrirei mão dos meus deveres habituais, para cuidar dos
meus meninos abandonados. minha vida continuará dedicada a
ajudar os meninos. Agradeço-lhe a sua oferta, mas não posso
abandonar o caminho que a Divina Providência me indicou.” A partir
de 1841, durante os dez anos seguintes, graças ao seu zelo
missionário, Dom Bosco fundou as primeiras obras para meninos
pobres e abandonados.
⁹ E. Ceria, Annali, I, 530

Pág. 12A OPÇÃO MISSIONÁRIA DE
DOM BOSCO
No Oratório, incentivou o fervor missionário entre os seus meninos.
Desafiou os seus melhores jovens a fazerem amizade com os
menos bons e encorajou-os a
visitar o Santíssimo
Sacramento e a receber os
Sacramentos. Já em 1848 ele
falava aos seus rapazes sobre o
envio de missionários para
regiões distantes. Quando
Turim foi atingida pela epidemia
de cólera, em 1854, Dom Bosco
enviou os seus melhores
rapazes paraajudar as vítimas,
não porque quisesse expô-los a
riscos desnecessários, mas para lhes ensinar que deviam aprender
a olhar para além da “zona de conforto” de Valdocco e ir ao
encontro de quem sofre. Falou muitas vezes do seu desejo de
evangelizar aqueles que não conheciam Cristo na África, na
América e na Ásia.¹⁰ O sonho de Domingos Sávio de que o Papa Pio
IX levasse a luz da fé à Inglaterra é uma indicação clara desse
fervor missionário no Oratório. Em 1886, um ano e meio antes da
sua morte, o quinto sonho missionário de Dom Bosco, em
Barcelona, na noite entre 9 e 10 de abril, começa com a renovação
do sonho dos nove anos, fechando o círculo da sua vida. De fato, os
seus sonhos missionários sobre as missões patagônicas (1872), a
futura missão mundial da Congregação (1883), as missões
sul-americanas (1884), os futuros desenvolvimentos missionários
(1885) e as futuras presenças missionárias salesianas desde
Valparaíso até Pequim (1886) são uma expressão do seu fervor e
anseio missionário.
¹⁰ MB VI, 795.
Seu zelo missionário, sem cedências em defender a fé de seus
meninos e das classes trabalhadoras pobres, levou-o a iniciar seu
O quinto sonho missionário

Pág. 13 A OPÇÃO MISSIONÁRIA DE
DOM BOSCO
apostolado na imprensa, publicando mais de 150 panfletos e livros.
Em 1º de março de 1853 publicou o primeiro número das Leituras
Católicas. Ele as imaginava como uma barreira contra as forças
anticlericais, anticatólicas e antirreligiosas do seu tempo. Fundou
os Salesianos em 18 de dezembro de 1859. Em 1861 abriu a
Tipografia de San Francesco de Sales em Valdocco. Em 1867, a
invocação “Maria Auxiliadora, rogai por nós” substituiu “Sede da
Sabedoria, rogai por nós” no Oratório. A igreja de Maria Auxiliadora
foi consagrada em 9 de junho de 1868. Embora aos “Salesianos”
ainda faltasse coesão associativa e organizacional e aprovação
canônica, essa igreja representou um ato de fé e coragem de Dom
Bosco, que sua Congregação haveria de desenvolver.
No dia 18 de abril de 1869, Dom Bosco fundou a Associação dos
Devotos de Maria Auxiliadora. Em 24 de abril de 1871,
comprometeu-se oficialmente com os Salesianos para fundar um
instituto feminino. Na mesma data escreveu à Madre Henriqueta
Dominici, Superiora Geral das Irmãs de Santa Ana da Providência,
convidando-a a cuidar do elaboração de uma Regra adequada ao
instituto religioso feminino que pretendia fundar; embora somente
no dia 5 de agosto de 1872 tenham sido oficialmente fundadas as
Filhas de Maria Auxiliadora, com a profissão de Maria Domingas
Mazzarello e outras 10 companheiras.¹¹
¹¹ M.E. Posada, “Don Bosco Fondatore dell’Istituto delle Figlie di Maria Ausiliatrice,
in Dicastero Per La Famiglia Salesiana, Don Bosco Fondatore della Famiglia
Salesiana. Atti del Simposio, 22- 26 gennaio 1989, a cura di M. Midali, (Roma:
SDB, 1989), 286-288;
G. Capetti, a cura di, Cronistoria, I (Rome: FMA, 1974), 303-304.
Desde o início da sua obra, Dom Bosco envolveu os leigos no seu
compromisso apostólico. Em 1876, o regulamento referente a eles
recebeu a aprovação da Igreja, constituindo-os como associação
de católicos e católicas empenhados em tornar presente o espírito
salesiano na sociedade, depois denominada “Salesianos
Cooperadores”. Quando as necessidades materiais dos
missionários se tornaram prementes, Dom Bosco pediu a ajuda dos
Salesianos Cooperadores, “que responderam generosamente ao

Pág. 14A OPÇÃO MISSIONÁRIA DE
DOM BOSCO
apelo, cada qual segundo as suas possibilidades”.¹²
¹² E. Ceria, Annali, I, 212.
Em 1877, Dom Bosco publicou o primeiro número do Boletim
Salesiano, inicialmente” como meio de comunicação entre os
Salesianos Cooperadores. Mas logo se desenvolveu como meio de
dar a conhecer as iniciativas da Congregação e obter o seu apoio.
Também se tornou um importante meio de sensibilizar e apoiar
iniciativas missionárias na América do Sul. Assim, desde o início,
Dom Bosco envolveu toda a Família Salesiana no seu compromisso
missionário.
Assim, ao longo da vida de Dom Bosco, vemos crescer ondas cada
vez maiores da sua paixão “pela salvação dos outros”. Seu coração
ardia de zelo, fervor, entusiasmo e da “alegria de partilhar a
experiência da plenitude da vida de Jesus”,¹³ que o fazia “buscar as
almas e servir apenas a Deus”.¹⁴ Tratava-se também de criatividade
pastoral, de coragem e de disponibilidade para ser enviado aonde
houvesse necessidade, expressa no “vou eu”, que o P. Alberto
Caviglia considerava como o “lema salesiano”. Este espírito
missionário inspirou a visão de Dom Bosco e as suas iniciativas
pastorais. É o coração da caridade pastoral de Dom Bosco que se
manifesta no “coração oratoriano” como expressão concreta do
amor misericordioso e redentor do Bom Pastor. Tudo se resume no
seu lema de vida: “Da mihi animas, caetera tolle”. Foi à luz desta
verdade que o P. Luís Ricceri, sexto sucessor de Dom Bosco, insistiu
no fato de que o espírito missionário não é apenas uma inclinação
pessoal de Dom Bosco. É um “charisma fundationis”, parte íntima
do carisma do fundador, tanto que as Constituições Salesianas
consideram o trabalho missionário como uma característica
essencial da Congregação Salesiana.¹⁵
¹³ P. Chávez, “Discurso do Reitor-Mor no encerramento do Capitulo Geral 26,” in
ACG 401, 137.
¹⁴ Const. 10.
¹⁵ Const 30.

A OPÇÃO MISSIONÁRIA DE
DOM BOSCO
A Insistente Necessidade De Iniciar Uma
Missão No
Exterior
O P. Ângelo Amadei
recorda que “já em 1871
Dom Bosco havia pedido o
parecer do Santo Padre
para responder aos insistentes pedidos de novas fundações na
Itália, Suíça, Índia, Argélia, Egito e Califórnia. O Papa respondeu:
“Por ora, concentrem os seus esforços em estabelecer firmemente
a sua Congregação aqui na Itália. Quando chegar a hora de enviar
seus filhos para outros lugares, eu avisarei”. Assim, imediatamente
após a aprovação formal da Sociedadve Salesiana, o Santo Padre
exortou-o a alargar o seu campo de atividade onde considerasse
mais oportuno”.¹⁶
¹⁶ MB X, 532
De fato, na sua correspondência, Dom Bosco expressou a sua
alegria pela aprovação definitiva da Congregação pela Santa Sé, em
3 de Abril de 1874. Mas também mostrou preocupação de que isto
pudesse levar a um estilo de vida confortável para os membros da
recém-aprovada Congregação. Assim, logo após a aprovação
definitiva da Congregação, Dom Bosco sentiu a urgência de enviar
os seus Salesianos “às missões”. Em 1875 abriu sua primeira casa
em Nice, França. Em 1881 abriu a escola para meninos pobres em
Utrera, Espanha, seguida pela de Sarrià, em Barcelona, em 1884. O
sétimo sucessor de Dom Bosco, o P. Egídio Viganò, refletiu o
sentimento de urgência de Dom Bosco quando afirmou: “O
compromisso missionário está nos libertando da perigosa
tendência a uma vida suave e fácil, da superficialidade no campo
espiritual e do genericismo”. A sua própria experiência missionária
mostrou-lhe que “nas missões se sente o sabor das origens, se
Pág. 15

Pág. 16A OPÇÃO MISSIONÁRIA DE
DOM BOSCO
experimenta a validade perene do critério oratoriano, e parece rever
Dom Bosco nos autênticos inícios da sua missão junto dos jovens
e dos pobres”.¹⁷
¹⁷ E. Viganò “O apelo do Papa em favor das Missões” in ACG, 336.
Esse empreendimento missionário de Dom Bosco foi a
manifestação máxima do seu espírito missionário. É digno de nota
o que escreveu o P. Miguel Rua no Boletim Salesiano de janeiro de
1897: “Nosso querido pai, Dom Bosco, no zelo ardente que o
consumia, gritou: Da mihi animas! Foi esta necessidade de salvar
almas que fez com que o velho mundo lhe parecesse estreito e o
levou a enviar os seus filhos para as missões distantes da
América”.¹⁸
¹⁸ Bolletino Salesiano, janeiro de 1897.
Com razão, o P. José Aubry observa que o compromisso
missionário é “o início da verdadeira história de Dom Bosco” e uma
manifestação viva da energia e do impulso do seu zelo pastoral e
da sua caridade. Apesar de todas as suas limitações doutrinais e
culturais, que refletem o contexto eclesial e cultural do seu tempo,
o compromisso missionário de Dom Bosco é a expressão que
evidencia o seu amor a Deus, a sua paixão pela maior glória de
Deus, a sua sede de implantar o Reino de Deus a se estender até
aos confins da terra e a sua caridade pastoral para ir ao encontro da
miséria dos jovens da Patagônia que tocou o seu coração de bom
pastor, da mesma forma que o comoveu a situação dos jovens
abandonados de Turim. Em suma, o projeto missionário de Dom
Bosco revela-nos a intensidade da sua caridade pastoral, como o
coração de Jesus Bom Pastor. É a última grande onda do seu zelo
missionário que surge da sua caridade pastoral resumida no seu
lema: Da mihi animas! ¹⁹
¹⁹ J. Aubry, Rinnovare la Nostra Vita salesiana, I (Turim: LDC, 1981), 50-52.
Portanto, a opção missionária de Dom Bosco foi a confluência de
três fatores: em primeiro lugar, a realização do seu desejo pessoal,

Pág. 17 A OPÇÃO MISSIONÁRIA DE
DOM BOSCO
há muito cultivado, de “ir em missão”, expresso nos seus cinco
“sonhos missionários”. Em segundo lugar, Dom Bosco acreditava
que o compromisso missionário da sua recém-aprovada
Congregação evitaria que os membros caíssem no perigo real de
um estilo de vida suave e fácil. Acima de tudo, o compromisso
missionário das suas Congregações é a expressão mais plena do
seu carisma, resumido no seu lema e no da Congregação: Da mihi
animas, caetera tolle!
Conclusão
O compromisso missionário
de Dom Bosco revela a
intensidade da sua caridade
pastoral, o seu zelo pelas
almas, a sua paixão pela maior
glória de Deus e a sua
disponibilidade para a difusão
do Reino de Deus
especialmente entre os mais
pobres. Foi o seu compromisso
missionário que incentivou o desenvolvimento do seu carisma: a
missão entre os jovens pobres e abandonados e a missão ad
gentes. O trabalho pelos jovens, especialmente pelos pobres e
abandonados, tanto nos pampas como nas cidades, é uma
expressão peculiar do espírito missionário de Dom Bosco. De fato,
as missões estrangeiras não só marcaram o início da expansão da
missão de Dom Bosco junto dos jovens de todo o mundo, mas
foram também a oportunidade para desenvolver um novo método
de evangelização através da educação, tipicamente seu. Os
Salesianos e as Irmãs Salesianas enriqueceram o seu trabalho
missionário com muitos elementos provenientes da sua
experiência pastoral em escolas, oratórios e internatos na Europa,
para incentivar a evangelização dos jovens em Buenos Aires e na
Patagônia: teatro, coral, banda musical, loterias, jogos , etc. A
natureza missionária torna-se assim “uma síntese que abrange
Pe. Alfred Maravilla, SDB
Ex-Conselheiro Geral
para as Missões
Pág. 18A OPÇÃO MISSIONÁRIA DE
DOM BOSCO
toda a nossa missão”. “Desta forma, o espírito missionário
tornou-se parte integrante de cada salesiano, porque está
enraizado no próprio espírito Salesiano... É como o coração da
caridade pastoral, o dom que caracteriza a vocação de cada um”.²⁰
²⁰ J.E. Vecchi, “Levantai vossos Olhos” 7.

Pág. 19
GTM’s
Uma visão profética
Dom Bosco, embora nunca tenha partido como missionário ‘ad
gentes’, sempre cultivou na mente e no coração o desejo de
expandir o carisma salesiano além das suas fronteiras e partilhar o
Evangelho com o mundo inteiro. Isso transparece bem em seus
cinco sonhos missionários: a seguir, um breve resumo de cada
sonho.
Primeiro sonho missionário:
a Patagônia
(1872, em “Memórias Biográficas”, ed. Italiana vol. X, 61-62)
Pareceu-me encontrar-me numa região
inóspita e totalmente desconhecida. Era
uma imensa planície toda inculta, com
montanhas no horizonte. Muito longe,
viam-se multidões de homens poderosos
quase nus, de aspecto feroz, vestidos com
grandes mantos de peles de animais.
Alguns caçavam animais selvagens,
outros lutavam entre si, outros ainda
lutavam contra soldados europeus. De
repente, chegaram missionários de
diversas Ordens para pregar o Evangelho,
mas foram imediatamente capturados e mortos sem piedade. Eu
me perguntei: “Como essas pessoas podem converter-se?”. E
outros missionários se aproximaram sorrindo: eram Salesianos!
Então pensei em detê-los para evitar outro massacre, mas vi que
foram bem recebidos, os habitantes baixaram as armas e
começaram a ouvir os missionários. Então todos começaram a
rezar o Rosário de joelhos e o canto a Maria ficou tão alto que
acordei.

Pág. 20
Segundo sonho missionário:
a América do Sul
(1883, em “Memórias Biográficas” ed. italiana XVI, 305-316)
Muitos detalhes deste sonho revelaram-se proféticos e
corresponderam aos trabalhos missionários realizados pelos
Salesianos ao longo do tempo.
Parecia-me entrar numa sala onde havia
muitas pessoas e ouvi que algumas delas
falavam de missões estrangeiras, dos
muitos povos ainda não evangelizados e
da inércia dos missionários europeus em
levar-lhes a mensagem evangélica. Não
entendi onde estávamos e, de repente,
apareceu um adolescente radiante,
usando uma veste tecida com riquezas
celestiais e um chapéu em forma de
coroa, cravejado de pedras preciosas
muito brilhantes. Chamou-me pelo nome,
pegou-me pela mão e começou a falar-me da Congregação
Salesiana, sem me dizer o seu nome. Eu o reconheci, era Luís, filho
do Conde Fiorito Colle de Toulon, nosso benfeitor, especialmente
das missões na América. Este jovem havia morrido pouco tempo
antes. Na sala havia uma mesa com uma corda enrolada, cheia de
números e linhas, correspondentes aos graus geográficos de
latitude. Convidado por Luís, puxei até o primeiro nó, no número 47,
de onde partiam três pequenas cordas que se estendiam para leste,
oeste e sul. “47+3+5=55”. Depois puxei para o outro lado até o
número 10, além do qual havia água. E, de repente, vi uma terra sem
fim com muitas ilhas, algumas povoadas por indígenas, outras
desabitadas, outras ainda cobertas de neve ou gelo. “55+10=65”. A
oeste vi montanhas muito altas, a Cordilheira dos Andes, a leste o
mar, o Oceano Atlântico. Luís contou-me que as montanhas são a
fronteira dentro da qual há muitas pessoas que esperam pelos
Salesianos e pela fé em Jesus. Nesse momento chegou o Padre
GTM’s

Pág. 21
GTM’s
Lago e me entregou uma cesta de figos pequenos, verdes, ainda
ima- turos, dizendo que eu deveria amadurecê-los, certificando-se
de recolocá-los na planta. Ele me mostrou como: pegou um figo e
mergulhou-o primeiro em uma jarra com san-gue e depois em outra
com água. Seria preciso suor e sangue para fazer aquelas pessoas
voltarem à planta e agradassem ao dono da vida. Depois
estávamos num trem para ver o que aconteceria nas futuras
gerações salesianas e me mostraram um mapa. À medida que o
trem avançava, aprendi muitas coisas olhando esse mapa, ouvindo
Luís e olhando pela janela: matas, montanhas, planícies, rios,
percebendo de forma incrível cada pequeno detalhe. O trem fez
duas paradas no caminho e depois estacionou no Estreito de
Magalhães, onde descemos, entre depósitos de carvão, tábuas,
vigas, madeira, imensas pilhas de metal. “O que agora está
planejado um dia será realidade. O que desperta admiração em
outros lugares, será aqui tal maravilha que superará o que hoje
surpreende todos os outros povos.”
Terceiro sonho missionário:
Uma viagem aérea
(1885, em “Memórias Biográficas”, ed. italiana, vol. XVII, 299- 305)
Parecia-me acompanhar os missionários em sua viagem. Eles
ficaram ao meu redor e me pediram conselhos; sem saber como,
vimo-nos quase imediatamente na América. No final da viagem
estava so- zinho no meio de uma vasta planície entre o Chile e a
Argentina e fiquei maravilhado com os poucos salesianos
presentes. Pareciam poucos, talvez porque estavam dispersos pelo
território sem limites. As longas ruas e casas tinham uma
aparência misteriosa e fantástica, enquanto os veículos viajavam
no ar. Cada rua começava de uma presença salesiana e viam-se os
missionários ocupados com o seu trabalho, mas numa rua só havia
dois Salesianos. Apareceu então um personagem brilhante que me
disse que estávamos na Mesopotâmia, coisa muito estranha
porque estávamos na Patagônia. Continuando a olhar, vi com muita
clareza todos os lugares onde há e haverá Salesianos, com as

Pág. 22
pessoas a serem evangelizadas. Os Salesianos estavam na fase de
semeadura, mas os que vierem depois colherão: seremos
fortalecidos por homens e mulheres nos que serão pregadores, os
filhos serão os evangelizadores de seus pais e amigos. Os
Salesianos conseguirão tudo com humildade, trabalho e
temperança.
Pareceu-me, então, de voltar para a
Itália e vi Turim inteira sob meus
pés. Havia um constante ir e vir para
a América do Sul, de onde eu havia
retornado repentinamente. No
sonho passei do presente ao
passado e ao futuro, conhecendo
muitas pessoas e mudando de
cenário. Dom Cagliero apareceu ao meu lado, com alguns
missionários a uma certa distância. Muitos outros estavam ao meu
redor, com um bom número de Salesianos Cooperadores. A vasta
planície tornou-se um salão magnífico e difícil de descrever em
tamanho e esplendor, cheio de mesas com elegantes toalhas e
vasos cheios de flores, mas sem comida, bebida, pratos ou copos.
Começaram a chegar pessoas vestidas de branco com uma faixa
rosa, que se colocaram em volta de uma mesa cantando de alegria,
seguidas de outros grupos, de todas as idades e culturas, que
também se alegravam. Cada multidão que entrava era um povo que
será convertido pelos missionários. Entre as mesas estavam
muitas das nossas Irmãs e um grande número de Salesianos, sem
qualquer sinal distintivo de serem padres, clérigos ou freiras; como
os outros tinham vestes brancas e faixa cor de rosa. Havia também
alguns indígenas que, depois de beberem o leite da palavra divina,
tornaram-se eles próprios anunciadores da palavra de Deus. A sala
estava cheia de gente, as cadeiras já não tinham um formato
específico, mas assumiam a forma que cada um desejava: todos
estavam felizes com o assento que ocupavam e com o assento que
os outros ocupavam. Caiu o silêncio e os convidados começaram a
cantar em diferentes coros, aos quais se somaram vozes do alto,
formando uma sinfonia extraordinária. Achei que estava no
GTM’s

Pág. 23
GTM’s
Paraíso, mas Cagliero disse-me que era apenas uma figura simples
e muito tênue do que realmente será o Paraíso.
Ao acordar, ficou-me im-presso um pensamento para compartilhar
com Cagliero e meus queridos missionários: “Que todas as
preocupações dos Salesianos e das Filhas de Maria Auxiliadora
estejam voltadas para a promoção das vocações eclesiásticas e
religiosas”.
Quarto sonho missionário:
Ásia, África e Oceania
(1885, em “Memórias Biográficas”, ed. italiana, vol. XVII)
Parecia-me estar diante de uma montanha muito alta,
em cujo cume achava-se um anjo
brilhante, e ao redor um vasto reino de
gente desconhecida. O anjo erguia bem
alto uma espada que brilhava como uma
chama muito viva e apontava para mim as
regiões circundantes. Ele me chamava
para combater as batalhas do Senhor e
reunir os povos em seus celeiros, e era
cercado por outros anjos. Entendia a voz
do anjo, mas não a dos povos ao redor da
montanha, que falavam entre si em
línguas desconhecidas. Via objetos separados e simultâneos, que
transfiguravam o espetáculo diante de mim e fui elevado a uma
altura imensa, como se estivesse acima das nuvens, rodeado por
um espaço imenso. Muitos me acompanhavam e encorajavam,
exortando os Salesianos a não se deterem no caminho. Parecia que
estava na Mesopotâmia, depois na África num grande deserto com
gente nua, e depois novamente na Austrália, um aglomerado de
muitas ilhas, com uma multidão de crianças que tentavam vir na
nossa direção, mas eram impedidas pela distância e pelas águas
que os separavam, e nos pediam para continuar o trabalho iniciado
por nossos pais.

Pág. 24
Parece-me que tudo isto indicava que a Providência divina oferecia
aos Salesianos uma porção do campo evangélico, mas num tempo
futuro. Suas fadigas produzirão frutos, porque a mão do Senhor
estará constantemente com eles.
Quinto sonho missionário:
De Valparaíso a Pequim
(1885, em “Memórias Biográficas”, ed. italiana, vol. XVII)
Eu estava numa colina perto de Castelnuovo e via só uma mata
espessa, coberta por uma quantidade incontável de pequenos
cogumelos. Vi José Rossi, dono do lugar, muito sério, olhando para
o vale, e não respondeu quando o chamei. Mesmo o Padre Rua,
sentado, sério, não me respondeu. Então desci daquela colina e
subi até outra, de cujo cume se avistava uma floresta, cultivada e
atravessada por estradas e veredas. Ouvi o barulho de uma
multidão incontável de crianças. “Nós o esperamos, nós o
esperamos por muito tempo, mas finalmente está aqui: está entre
nós e não vai fugir de nós! “
Sem entender muito, vi depois um
imenso rebanho de cordeiros
conduzidos por uma pastora, que, tendo
separado os jovens e as ovelhas, e
colocado uns de um lado e os outros do
outro, falou-me lembrando o sonho dos
nove anos, do qual não me lembrava
naquele momento. Chamadas as
crianças, ela perguntou a elas e a mim o
que estávamos vendo. Eu via
montanhas, mares e morros, as crianças
leram “Valparaíso. Santiago”. A pastora
disse-me que a partir daí eu teria uma regra sobre o que os
Salesianos fariam no futuro. Depois, virando-me para o outro lado,
fez-me traçar uma linha visual. Ainda vi montanhas, mares e
colinas, as crianças leram em coro: “Pequim”. Então ela me fez
GTM’s

Pág. 25
GTM’s
traçar outra linha de uma ponta à outra, de Pequim a Santiago,
fazendo um centro na África. Não compreendia como po- deria
fazer tudo isto: as distâncias eram imensas, os lugares difíceis e
poucos os Salesianos. “Não se perturbe. Seus filhos, os filhos de
seus filhos e os filhos deles farão isso; mas permaneçam firmes na
observância das Regras e no espírito da Pia Sociedade”. Puxando
uma nova linha de Santiago para o centro da África, vi dez Centros.
A pastora contou-me que esses dez Centros serão de estudantados
e noviciados, fornecendo muitos missionários salesianos. Do outro
lado, vi outros dez Centros, desde o centro da África até Pequim,
que formarão missionários. “Ali está há Hong Kong, lá Calcutá, mais
além Madagascar. Estes e muitos outros terão casas,
estudantados e noviciados”. “Só há uma coisa a fazer: recomendar
aos meus filhos que cultivem constantemente a virtude de Maria”.
“E cuidado com o erro que existe agora, que é a mistura dos que
estudam as artes humanas com os que estudam as artes divinas,
porque a ciência do céu não quer ser mistu- rada com as coisas
terrenas.”
Eu queria responder, mas acordei.
Co-padroeiro
Molinari
Belmonte
Tomatis
Cassini
Gioia
Padroeiro
Cagliero
Fagnano
Scavini
Allavena
Baccino
Sonho Missionário
Primeiro Sonho Missionário
Segundo Sonho Missionário
Terceiro Sonho Missionário
Quarto Sonho Missionário
Quinto Sonho Missionário

Pág. 26O DIA MISSIONÁRIO SALESIANO
AO LONGO DO TEMPO
O espírito missionário precisa ser sempre
sustentado e reavivado de muitas maneiras,
inclusive com momentos fortes de
animação missionária, como o DMS. O Dia
Missionário Salesiano (DMS) é uma
ocasião oferecida às comunidades SDB, às
Comunidades Educativo-Pastorais (CEP),
aos jovens e membros da Família
Salesiana para viver bem este aspecto do
carisma salesiano e difundir a
sensibilidade missionária.
Embora o nome possa induzir ao erro, não se trata de um dia
específico, não há uma data única; cada Inspetoria pode escolher
o período mais adequado ao seu ritmo e
calendário para viver plenamente este
momento forte de animação missionária.
Além disso, o DMS é a meta mais elevada
dos itinerários educativo-pastorais e não
uma atividade isolada das demais.
O primeiro DMS a nível de Congregação
foi lançado em 1988, por ocasião do
centenário da morte de Dom Bosco e,
desde então, passou por muitos temas e
propôs muitas
reflexões ricas e
úteis. Inicialmente, o tema
escolhido ligava-se a um contexto
missionário específico, sobretudo
geográfico, depois aprofundou-se o
“Primeiro Anúncio” nos diversos
continentes e, nos últimos anos, foram
escolhidos temas mais amplos e
adaptáveis a cada contexto, desenvolvidos
em colaboração com outros setores da
Congregação Salesiana.
Neste número especial do DMS, seremos
acompanhados pela celebração dos 150
anos da primeira expedição missionária
segundo os três verbos expressos no
logotipo: “Agradecer, repensar, relançar”.
Cada Inspetoria Salesiana é chamada a
utilizar criativamente, segundo o próprio
contexto, as ideias contidas nos materiais
fornecidos pelo Setor das Missões. Além
deste livreto, o pôster ajuda a considerar e
tornar visível o DMS enquanto a oração,
com o convite a rezá-la cada dia 11 do
mês, é um modo simples e importante de
pedir ao Senhor um coração mais missionário. Cada DMS propõe
um projeto, ligado ao tema do ano, como oportunidade concreta de
solidariedade e animação missionária. Este ano escolhemos a
abertura de um oratório em Pagos, na Grécia, uma das novas
fronteiras missionárias salesianas.
O vídeo oficial do DMS pode ser encontrado no canal Youtube do
Setor para as Missões.
O DIA MISSIONÁRIO SALESIANO
AO LONGO DO TEMPO
Pág. 27

Pág. 28O DIA MISSIONÁRIO SALESIANO
AO LONGO DO TEMPO
Guiné:
O sonho continua
1988
Zâmbia:
Projeto Lufubu
1989
Timor Leste:
Jovens
evangelizadores
1990
Paraguai:
Meninos
de rua
1991
Peru:
Cristo vive nos ca-
minhos dos Incas
1992
Togo: Dom Bosco e a
África – Um sonho que
se torna realidade
1993
Camboja:
Missionários con-
strutores de paz
1994
Índia:
Em diálogo para
compartilhar a Fé
1995
Rússia:
Luzes de esperança
na Sibéria
1996
Madagascar:
Jovem, eu te digo:
levanta-te!
1997
Brasil:
Ianomâmi: Vida
nova em Cristo
1998
Japão:
O difícil anúncio de
Cristo
1999
Angola:
Evangelho, semente
de reconciliação
2000
Papua-Nova Guiné:
Caminhando com
os jovens
2001
Missionários entre
os jovens
refugiados
2002
O trabalho para a
promoção humana
na missão
2003
Índia: Arunachal
Pradesh: O despertar
de um Povo
2004
Mongólia:
Uma nova fronteira
missionária
2005
A missão salesiana
no Sudão
2006 - 2007
HIV/AIDS: Respo-
sta dos Salesianos:
Educar para a vida
2008
Animação mis-
sionária – Mantém
viva a tua chama
missionária!
2009 Europa: Os Salesia-
nos de Dom Bosco
caminham com os
Rom-Sinti
2010
América: Volun-
tários para procla-
mar o Evangelho
2011
Ásia:
Narrar Jesus
2012
África:
Caminho de Fé
2013
Europa:
Os outros somos nós
- Atenção salesiana
aos migrantes
2014
Envia-me, Senhor!
– Vocação salesiana
missionária
2015
Vinde em nossa ajuda!
O Primeiro Anúncio e
as novas fronteiras na
Oceania
2016
«... e ficaram conosco»:
O Primeiro Anúncio e
os povos indígenas da
América
2017
Sussurra a Boa-Nova.
O Primeiro Anúncio e a
Formação Profissional
na Ásia
2018
“Sem saber, hospedaram
anjos”. O Primeiro Anúnc-
io entre os Refugiados e
desalojados na África
2019
Europa: O Primeiro
Anúncio através dos ora-
tórios e Centros Juvenis.
“Alegrai-vos…”
2020
Um só Pai, uma só
Família – Solidarieda-
de Missionária como
Primeiro Anúncio
2021
Comunicar Cristo
Hoje - #Mis-
sionáriosNaRede
2022
Cuidar da criação: a
nossa missão
2023
Construtores do
diálogo
2024 Agradecer,
Repensar,
Relançar
2025

Pág. 29 150 ANOS DAS
MISSÕES SALESIANAS
O tema do 29.º Capítulo Geral, “Apaixonados por Jesus Cristo e
dedicados aos jovens”, oferece-nos uma perspectiva privilegiada
para refletir sobre a nossa missão, articulada em torno de três eixos
essenciais: vocação e fidelidade profética (“agradecer”),
comunidade como profecia de fraternidade (“repen- sar”) e a
reorganização institucio- nal da Congregação (“relançar”).
A vocação salesiana assenta num chamado recebido e preservado
com fidelidade profética. Ao celebrar os 150 anos das missões,
somos convidados a agradecer pelo dom desta vo- cação, apenas
um exercício de memória; traduz um reconhecimento vivo do poder
transformador da vocação quando vivi- da com paixão e dedicação.
O tema do CG29 convida-nos a refletir sobre a fidelidade profética
como elemento central da nossa vocação. Ser fiel significa cuidar
da própria vocação e da vocação dos outros, acompanhando o
caminho dos irmãos e dos jovens. O contexto
missionário exige uma fidelidade criativa, capaz
de se adaptar aos sinais dos tempos sem
perder de vista o coração do carisma. Hoje,
mais do que nunca, somos chamados a
preservar e transmitir o fogo da vocação,
ajudando os jovens a discernir o
chamamento de Deus nas suas vidas e
apoiando os irmãos na sua fidelidade de
todos os dias.
A comunidade salesiana está no centro
da nossa missão. O CG29 evidencia a
importância de viver autenticamente a
profecia da fraternidade no interior das
nossas comunidades, envolvendo não só
os irmãos, mas também os leigos, os
colaboradores e os jovens. A missão, de
fato, realiza-se sempre num contexto
comunitário, onde a diversidade se
torna uma riqueza e a unidade se

Pág. 30150 ANOS DAS
MISSÕES SALESIANAS
transforma numa força evangelizadora.
Nesta perspectiva, a celebração dos 150 anos das missões
leva-nos a repensar a forma como as nossas comunidades podem
ser espaços de verdadeira fraternidade e corresponsabilidade. A
missão salesiana sempre foi uma experiência de alargamento da
comunidade, de construção de redes de fraternidade que
transcendem barreiras culturais e linguísticas. Em particular, o
conceito africano de comunidade como “família alargada”
convida-nos a ver a missão não apenas como ação pastoral, mas
como processo de integração e inclusão, onde o missionário se
torna parte de uma família maior. Esta visão desafia-nos a rever as
nossas dinâmicas comunitárias, valorizando a participação dos
leigos e promovendo uma cultura de corresponsabilidade.
Repensar a missão salesiana hoje significa, então, reconhecer que
a comunidade não é uma realidade estática, mas dinâmica, que
cresce e se enriquece através do encontro e da partilha.
A missão salesiana, desde o início, exigiu uma estrutura flexível e
dinâmica, capaz de se adaptar aos contextos locais enquanto
preservava a unidade carismática. No entanto, com o crescimento
da Congregação e a sua expansão pelo mundo, surgiu a
necessidade de desenvolver modos de governança que combinem
animação e governo, a fim de apoiar e potenciar a missão. Isso
requer uma estrutura capaz de valorizar as diferenças, promover a
participação e garantir uma visão compartilhada.
Ser missionário hoje significa saber organizar e animar de forma
harmoniosa, criando espaços de diálogo e colaboração que
favoreçam a sinergia entre os diversos setores e níveis da
Congregação. A reorganização não deve ser um fim em si mesma,
mas deve estar orientada para apoiar a missão, garantindo que a
ação pastoral e educativa responda às necessidades concretas das
comunidades locais. O CG29 desafia-nos a imaginar uma
governação missionária capaz de dar alma às estruturas,
valorizando a corresponsabilidade e promovendo uma liderança
centrada no serviço e na missão. A celebração do 150.º aniversário

Pe. Alphonse Owoudou, SDB
Conselheiro Regional
por África-Madagascar,
Regulador do Capítulo Geral 29
da missão é uma oportunidade valiosa para
refletir sobre como a nossa organização
pode apoiar uma missão que continua a
expandir-se em novos contextos culturais e
sociais. Reativar a missão salesiana exige
um discernimento atento, uma planificação
estratégica e uma capacidade de adaptação
que permita à Congregação permanecer fiel
ao carisma de Dom Bosco, enquanto responde aos desafios de um
mundo em mudança.
À medida que celebramos os 150 anos da primeira expedição
missionária salesiana, somos chamados a olhar para o futuro com
esperança. A missão salesiana não é apenas um legado a
preservar, mas um desafio a assumir com entusiasmo renovado e
visão profética. O tema do CG29 convida-nos a ser apaixonados
por Jesus Cristo e dedicados aos jovens, projetando-nos para o
futuro com a coragem de quem sabe que o caminho ainda está por
percorrer.
Com gratidão pelo passado, discernimento para o presente e
ousadia para o futuro, continuemos a caminhar juntos, inspirados
pelo mesmo zelo missionário que levou os primeiros missionários
salesianos a ultrapassarem fronteiras, movidos pelo desejo de
tornar visível o amor de Deus entre os jovens.
Pág. 31 150 ANOS DAS
MISSÕES SALESIANAS

Pág. 32OS SALESIANOS DA PRIMEIRA
EXPEDIÇÃO MISSIONÁRIA
A história missionária da Congregação Salesiana começou graças
a alguns missionários motivados e inspirados por Dom Bosco a sair
em missão. A primeira expedição ocorreu por ocasião do Concílio
Vaticano I, quando vários bispos pediram a Dom Bosco que
enviasse Salesianos para a China, o Egito e os Estados Unidos.
Dom Bosco, depois de alguns anos de estudo, após o seu primeiro
sonho missionário em 1872, tendo também sido convidado a ir à
Argentina para trabalhar com os nativos da Patagônia, escolheu
esse mesmo lugar como destino da primeira missão salesiana.
Ao observarmos a idade dos seus membros, a expedição é
composta por Salesianos jovens. A primeira expedição missionária
era composta por 10 salesianos: 1 clérigo, 5 padres e 4 coadjutores,
conhecidos sobretudo graças à famosa foto tirada por Michael
Schemboche, um fotógrafo profissional.
1. Giovanni Battista Allavena - clérigo
Nasceu em Pigna, Porto Maurizio, em 1855. Tinha apenas 20 anos
de idade quando partiu e era o mais jovem do grupo. Reuniu-se aos
outros em Marselha, pois ainda não tinha passaporte.
2. Giovanni Battista Baccino - sacerdote
Nasceu em Giusvalla, província de
Alessandria, em 1843, uma “vocação
adulta” porque interrompeu a escola para
ajudar a família no trabalho do campo.
Foi um dos primeiros a escrever suas
intenções de ir para as missões. Pensou
nos Estados Unidos e agradeceu a Deus
por essa bela e única oportunidade de
serviço, pois tinha 32 anos de idade.
3. Valentino Cassini - sacerdote
Nasceu em 1851 em Varengo,
província de Alessandria,
diocese de Casale
Monferrato. Tinha 24
anos e era professor.

Pág. 33
4. Domenico Tomatis - sacerdote
Nasceu em 23 de setembro de 1849 em Trinità, província de Cuneo,
diocese de Mondovì, e entrou no Oratório de São Francisco de
Sales, em Turim, em 23 de outubro de 1862. Escreveu as crônicas
da viagem missionária. Tinha 26 anos de idade quando partiu.
5. Stefano Belmonte - coadjutor
Músico e ecônomo, era um dos que sabiam que o seu primeiro
destino seria acompanhar o P. Cagliero à cidade argentina de
Buenos Aires, mas entendia que seus passos seguiriam a direção
que a Congregação decidisse tomar para alcançar seus objetivos.
Na época de sua partida, tinha 29 anos de idade.
6. Vincenzo Gioia - coadjutor
Cozinheiro e mestre sapateiro, nasceu em Alessandria em 1854.
Dom Bosco apresenta-o como “aprendiz e mestre no ofício de
sapateiro”. Teria a tarefa de cuidar dos pés e do estômago de seus
companheiros missionários: dois elementos fundamentais para
completar a evangelização no novo continente. Com apenas 21
anos quando partiu, ele também se reuniu ao grupo em Marselha.
7. Bartolomeo Molinari – coadjutor
Maestro de música vocal e instrumental, partiu com 21 anos de
idade. Deixou a Congregação em 1877.
8. Bartolomeo Scavini - coadjutor
Mestre carpinteiro, nascido em Benevagienna, Cuneo, em 1839,
sabia como transformar a madeira em instrumento nobre para uso
do homem. Gozava de prestígio por sua profissão e isso poderia
ter-lhe aberto as portas do trabalho em qualquer lugar, mas ele
queria ser digno dessas circunstâncias e ensinar a sua arte a quem
precisasse, do outro lado do mar. Quando partiu, tinha 36 anos de
idade.
OS SALESIANOS DA PRIMEIRA
EXPEDIÇÃO MISSIONÁRIA
Pág. 34
9. Giuseppe Fagnano - sacerdote
Dom Bosco apresentou-o como “doutor em belas letras”, ou seja,
qualificado regularmente para ensinar literatura grega, latina e
italiana, história, geografia e outras disciplinas humanísticas.
Nasceu em Rocchetta Tanaro, província de Asti, em 9 de março de
1844. Tinha 31 anos quando partiu para a Argentina
10. Giovanni Cagliero - sacerdote
Nasceu em Castelnuovo d’Asti, Alessandria, em 11 de janeiro de
1838. Dom Bosco deu-lhe a honra de ser o chefe da sua primeira
expedição missionária. Tinha 37 anos de idade quando partiu em
missão.
Fazer memória destes
dez missionários é
renovar o espírito
missionário de Dom
Bosco, o desejo ardente
de compartilhar a sua fé
com os jovens pobres e
necessitados, que
começou em Valdocco
e continua até hoje em
137 países ao redor do
mundo.
OS SALESIANOS DA PRIMEIRA
EXPEDIÇÃO MISSIONÁRIA
Pe. Reginaldo Cordeiro, SDB
Setor para as Missões

Pág. 35 SAUDAÇÃO DE DOM BOSCO
AOS PRIMEIROS MISSIONÁRIOS
Homilia de Dom Bosco por ocasião da primeira
expedição missionária salesiana
O dia 11 de novembro de 1875 foi solene e emotivo. Dom Bosco preparou
uma homilia para acompanhar os seus filhos que seriam os primeiros a
atraves- sar o oceano em direção à Argentina.
A homilia começou com estas palavras: “O nosso Divino Salvador, quando
estava nesta terra, antes de voltar ao Pai Celeste, reuniu os seus Apóstolos
e disse-lhes: Ite in mundum universum... docete om- nes gentes...
Praedicate evangelium meum omni creaturae (Ide ao mun- do todo...
ensinai a todos os povos... pregai o meu Evangelho a todas as criaturas).
Com estas palavras, o Salvador não deu um conselho, mas uma ordem
aos seus Apóstolos, para que fossem e levassem a luz do Evangelho a
todas as partes da terra”.
Os primeiros a pôr em prática o convite evangélico foram os apóstolos,
que não se detiveram na Palestina ou em Jerusalém, mas partiram
imediatamente ao mundo todo, seguidos por outros zelosos cristãos.
Também aos Salesianos chegou este apelo e, em diálogo com o Papa, foi
escolhida a Argentina: “Desta forma estamos a iniciar uma grande obra,
não porque tenhamos
pretensões ou acreditemos que podemos converter todo o universo em
poucos dias, não; mas quem sabe, não será esta partida e este pouco
como uma semente da qual crescerá uma grande árvore?” A expedição
missionária pode ser uma oportunidade para despertar em muitos o
desejo de se consagrarem a Deus como missionários ad gentes.
O que encontrar na Argentina? Em primeiro lugar, os fiéis cristãos que não
têm a sorte de outros países e têm dificuldade para viver a sua fé devido à
falta de sacerdotes, que nem sequer podem administrar os sacramentos
num território tão vasto e extenso. Depois, uma
recomendação especial aos
migrantes italianos que correm o
risco de esquecer a fé cristã e
precisam ser instruídos. Por fim, o
apostolado com os povos
indígenas que vivem nas regiões ao
redor das cidades, como na
Patagônia, a quem os missionários
poderiam levar um enorme
conforto.

Pág. 36
Aos missionários, o empe- nho de sempre mostrar gratidão aos
benfeitores que tornaram possível este projeto. Se há tristeza na
despedida, há ao mesmo tempo uma grande consolação no coração ao
ver o crescimento da Congregação e ao colocar-nos a serviço, com o
nosso pouco, pelo bem da Igreja. “Sim, ide corajosamente; mas
lembrai-vos de que há uma única Igreja que se estende por toda a Europa
e América e por todo o mundo, e recebe no seu seio os habitantes de
todas as nações que desejam refugiar-se no seu seio materno”.
A missão é a mesma, inde- pendentemente do lugar, e a unidade de
espírito prevale- ce mesmo quando vivemos fisicamente separados, tra-
balhando todos para a maior glória de Deus, mantendo a identidade
salesiana e católica, amando, professando e pregando o
Evangelho.“Como Salesianos, em qualquer parte remota do mundo em
que vos encontreis, não vos esqueçais que aqui na Itália tendes um Pai
que vos ama no Senhor, uma Congregação que pensa em vós, provê as
vossas necessidades e vos acolherá sempre como irmãos. Ide, pois;
devereis enfrentar toda a espécie de dificuldades, de provações, de
perigos; mas não tenhais medo, Deus está convosco: Ele vos dará tal
graça que direis com S. Paulo: Sozinho nada posso fazer, mas com a ajuda
divina sou onipotente”
Não ireis sozinhos; muitos outros Salesianos seguirão o vosso exemplo e
muitos outros vos acompanharão no pensamento e na oração. “Adeus!
Talvez já não nos possamos ver nesta terra; durante algum tempo
estaremos separados no corpo, mas um dia estaremos reunidos para
sempre. Nós, ao trabalharmos para o Senhor, ouviremos dizer: Euge, serve
bone et fidelis... intra
in gaudium Domini tui
(Vem, servo bom e
fiel... entra na alegria
do teu Senhor)”.
SAUDAÇÃO DE DOM BOSCO
AOS PRIMEIROS MISSIONÁRIOS